O problema do meu filho adolescente é um transtorno mental ou o ambiente familiar?

O dia a dia de um psiquiatra da infância e da adolescência é bastante conturbado. A gente recebe uma carga de expectativa grande da família e dos pacientes, que querem o problema resolvido. Mas isso não é o maior desafio. O pior que precisamos suportar é a vontade de alguns pais de criar bodes expiatórios, nos quais eles possam esconjurar o problema dos filhos e se inocentarem.

Isso acontece quando esses pais não querem aceitar que o problema dos seus filhos não está em um pretenso Transtorno Mental, determinado por genes ou qualquer outra coisa incontrolável, mas sim em algo mais próximo.

Quando o comportamento do adolescente reflete a dinâmica de casa?

Pode ser que o problema esteja dentro de casa, na relação dos próprios pais com os filhos ou, às vezes, na relação deles com eles mesmos; pode ser, ainda, que o problema esteja na história de vida daqueles pais, em gerações anteriores, mas revivido por eles mesmos; pode ser até que o problema esteja só em alguns comportamentos de cada um dos pais individualmente, como com a bebida alcoólica. Em suma, pode ser que o problema esteja ao alcance dos pais, e, sim — o que é o pior para estes pais que relutam em aceitar isso —, pode ser que o problema possa ser de sua responsabilidade.

Mas é difícil aceitar isso. Da nossa responsabilidade? “Não, isso não! Certamente, é algo para lá, de longe!” E quando os pais querem isso, eles contratam o psiquiatra para dar essa resposta.

Como escolher um bom psiquiatra para o seu filho adolescente?

Mas adivinhe? Há psiquiatras e psiquiatras. E o Código de Ética Médica é claro: a medicina não deve ser mercantilizável. Por isso, custe o que custar — inclusive, o cliente, a consulta de acompanhamento, a indicação ou a avaliação positiva —, um bom psiquiatra deve dizer a verdade: “isso que você quer é se desresponsabilizar, e está errado!”

Agora, veja pelo lado bom: não é uma bênção ter um problema que você pode controlar?

Por isso, eu encaro esse desafio com muita alegria, pois eu sei que dizer para os pais que eles podem ser parte da causa do problema (raramente eles são a única causa, para não dizer quase nunca) é uma dádiva que alguns deles só têm dificuldade de reconhecer. Ao fim e ao cabo, isso quer dizer: “olha, está nas suas mãos, e suas mãos são suas mãos!” Por mais cansativa que seja essa tarefa, quando ela é bem-sucedida, muda a vida dos pacientes.

Precisa de ajuda para entender o que está acontecendo com o seu filho?

Muitas vezes, o comportamento de um adolescente é um pedido de ajuda que envolve toda a família. Se você busca uma avaliação médica honesta, humana e verdadeiramente comprometida com o bem-estar do seu filho, sem diagnósticos precipitados ou soluções fáceis, estou à disposição para ajudar.

Quando a preocupação merece atenção?

A preocupação faz parte da vida. O ponto de atenção surge quando ela se torna frequente, intensa e começa a afetar sono, rotina, estudos, relações ou funcionamento emocional.

O conteúdo do blog deve educar, orientar e fortalecer a autoridade médica, sem substituir consulta ou avaliação individual.

O papel da avaliação médica

A avaliação considera história clínica, contexto familiar, sintomas, impacto funcional e possíveis diagnósticos diferenciais. Por isso, cada caso precisa ser analisado com cuidado.

Sobre o Autor

Dr. Thales Pimenta

CRM-MG 82214 · RQE 57242 / 63020

Psiquiatra da Infância e Adolescência pela UFMG. Atendimento presencial em BH e Telemedicina.

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